* Um pequeno suspiro.. Alívio...*
Estava de volta. Fazia muito tempo… Ali ainda existiam os mesmos cheiros, os mesmos rostos cansados, quase tudo impecavelmente igual. Até mesmo as minhas pequenas musas continuavam ali, sussurrando suas poesias quase imperceptivelmente. Faltavam pequenos detalhes que passariam despercebidos pela maioria dos olhos humanos – mas essa falta criava um vazio particular em meu peito.
No mesmo lugar… Sentada na mesma posição… Havia voltado para onde meu coração reconhecia como lar.
A mesma canção, minha trilha sonora pessoal para esses momentos particulares ecoava em minha mente.
- Let the seasons begin - take the big king down –
Braços invisíveis – meus velhos conhecidos anônimos – me receberam, acolheram-me como antigamente. Como se o tempo nunca tivesse existido.
Mas havia passado tempo demais… Era tarde demais…
Como pequenos sussurros, vieram fragmentos de algumas lembranças. Passavam suavemente diante de meus olhos, minhas fotografias – amareladas, gastas, antigas e tão fortes em mim.
E todas as palavras tocaram em forma de uma suave canção em minha mente.
Todas as distorções ficaram nítidas e me assustaram. Uma caricatura grotesca do que fora – desenhada pelas lembranças falhas. O sentimento no peito permanecia imaculado. Guardei-o como meu tesouro mais valioso. Porém, um único esquecimento e o conforto se tornou uma ferida que sangrava lentamente.
Nada poderia devolver tudo aquilo que minha alma necessita e que se perdeu por aí. Um cristal que fora lascado. Eu necessitava daquele pedaço “insignificante” para que eu pudesse me reconhecer – e talvez voltar a me sentir viva.
Porém, ele estava perdido pelo chão e meus olhos cegos não conseguiam encontrá-lo.
Uma lembrança. Uma voz que eu havia esquecido. Fechei os olhos e vi os poucos traços que recordava.
O vazio tornou-se ainda mais latente. Eu quis gritar, mas meu próprio desespero me sufocou. Quis clamar por você, mas as lágrimas vieram primeiro. E a nossa promessa se repetia em minha mente, como que para convencer de que ela era real: daríamos um ao outro tudo aquilo que não conseguíamos oferecer a nós mesmos.
- I'll give peace when peace is fragile. –
Mas você nunca poderia estar ali para recuperar a minha sanidade.
... Eu quis gritar, mas a dor me amordaçou…
[...]
... ... ... Arrepio ... ... ...
E uma voz ecoou por todo aquele lugar. De onde vinha, eu desconhecia, mas morria em meu peito. E meu coração, apesar de todas as falhas, reconheceu. Um sussurro. Meu salva-guarda.
- Eu estou aqui minha querida. Sempre com você –
Não acreditei quando percebi que era você.
Com a delicadeza que os deuses reservaram a ti, segurastes minhas mãos e repetia o mesmo gesto que trazia a minha paz.
De alguma forma que desconheço, minha alma sabia que era real: você estava ali comigo.
Olhei em teus olhos invisíveis e agradeci como sempre fiz: em silêncio.
- Obrigada por existir para mim. –
Será que você poderia compreender minhas palavras? Acredito que sim. Sempre me entendeu melhor do que eu mesma.
Um riso. O sorriso que você guardava somente para mim.
- Eu amo você menina. –
Silêncio. As palavras são frágeis demais para carregarem consigo o tamanho do meu amor por ti.
[...]
E cheguei até mesmo a acreditar que tudo poderia ser como antes. Mas os ponteiros do relógio e sua urgência não me permitiram ficar ali.
... ... ... Medo ... ... ...
Medo de me perder novamente… De cair, de me prender novamente naquelas correntes negras... Temia retornar ao ponto inicial e morrer lentamente em agonia.
Levantei-me. Olhei para trás procurando-te e nada encontrei. Estava só novamente. Será?
- Uma resposta –
I said baby don't worry,
life will carry.
Just take it slowly.
'Cause the love you used to feel is still in there, inside.
It may be the faded photograph, but I know you care.
So don't hide.
If you're scared, I'm here besides you.
If you get lost, I'm here to guide you.
Lu Rodrigues
Nenhum comentário:
Postar um comentário