
Para minha morena dos olhos d'água, com amor!

Para minha morena dos olhos d'água, com amor!

Eu queria fugir.
Refugiar-me em teu peito, em teus abraços. Perder-me em seus sonhos e aspirações. Esquecer do mundo real e transformar nosso universo em uma canção.
Fico assim, melancólica, quando acordo e não te vejo ao meu lado; quando dou seu nome às coisas, mas não sinto seu cheiro; ou quando seu respirar não encontra minhas orelhas para o sussurro cantar o amor.
Espero ansiosa pelo dia que as tardes serão mais felizes e serenas que as manhãs, e que as noites serão mais aconchegantes e completas que todo o resto. Dia e noite com você, sem pressa ou preocupação. Seremos só nós. Para sempre...
Transformaremo-nos em fadas: nossos corações arderão em amor, sem espaço para mais nada, seremos, enfim, felizes por inteiro.
Sonhos...
Desculpe-me a audácia de meus pensamentos e vontades. Sei que nesse caminho a percorrer devemos ter garra e esperteza (esperteza de sentimentos). Não se chega com ímpeto para conquistar o mundo ou um coração. A pressa não é aliada.
Caminharei ao seu lado, amor, aproveitando cada manhã de sol, cada cor, cada pingo de chuva, cada sorriso, cada palavrão...
E será em outra manhã (como da primeira vez) que perceberás que não haverá mais dias ‘NÃO’. E na fotografia ficará só a lembrança do que ousamos chamar, certa vez, de felicidade. Seremos, enfim, um só.
Façamos da interrupção um caminho novo.
Da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte, da procura um encontro!
Palavras.
São elas que se tornam falhas quando o assunto é você. Sempre foi assim.
Porém hoje, na melancolia dos meus pensamentos e passos, elas se fizeram tempestade.
Olho o caminho a percorrer e no medo encontro a pureza de seu olhar, sempre a dizer algo.
Na audácia de mim olho para trás e ainda vejo você, mais triste, porém presente (quando eu mesma não fui).
Ousei chamar-te de amigo, hoje és anjo.
Na minha falta de idéias fui escuridão, quando no fundo sonhava em ser sol, em poder brilhar para ti.
Perdoe-me as lacunas, mas hoje serei sucinta: te amo.
Ao amigo Thiago R.

“E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai por em ordem?” (A.P)
Em um solavanco da vida senti sua melancolia. Senti sua esperança se esvaindo pelos ares, passando por mim fria e ligeira. Cortante.
Tentei agarrá-la, abraçá-la, impedi-la. Lancei-me contra um nada que sonhava em voltar a ser tudo.
O tempo contou-me seus problemas. As lágrimas iam escorrendo de uma face que nunca vi, congelavam meu peito quente e me faziam querer chorar junto, pela simples companhia.
Meus pensamentos-comuns encontraram os seus de fuga e, é claro, ficaram deveras preocupados. É que eles tentam fazer de tudo para arrumar a vida dos outros. (A.P)
”Tempos difíceis para os sonhadores...” (A.P)
Ah, o tempo...
Hoje tão acolhedor e amanhã tão ligeiro e impiedoso.
Desnorteado, nesse dia nublado ele reforçou seu pedido. Ele me pedira por você. Para eu ser mais pra você. Para ser tudo.
Serei, se assim permitir.
“Então, minha querida Amelie, não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida. Se deixar passar essa chance, com o tempo seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto meu esqueleto. Então, vá em frente, pelo amor de Deus” (A.P)
(...)
Mais uma noite atípica de inverno...
O vento gelado, cortante, penetrava sem pudor em minha pele de maneira mais densa, carregada. Ele trazia lembranças e confusões de um passado que insistia em se fazer presente. Era ele que de uma maneira demasiadamente avassaladora confundia as batidas do meu coração e testava sua paciência.
Angústia.
Foi na chuva fina, amor, que me entreguei ao momento, à sensação, ao sentimento. Percebi que por trás de tanta insegurança só existe alguém que clama por sua atenção diária e por seu amor (maior do mundo).
Enganei-me ao achar que ter a capacidade de não falar era aprender a ser forte. Como poderia, se minha força és tu?
Recrimino-me por criar problemas desnecessários para mim mesma, para nós. Seu sorriso estampado na noite me lembra que este é o tempo de realmente viver; de se entregar por completo, hoje.
Desculpe-me, anjo...
Calafrio.
Ouço, longe e baixinho, sua música; sinto forte seu cheiro. Embrulho então a saudade e mando pra quem provocou nossa distância, por menor que seja.
É o coelho na lua que me inspira a dizer-te: obrigada, amor. Por tudo. Pelas alegrias duplicadas e tristezas divididas; pelo seu amor azul cor do céu.
Só peço que entenda: não sei fingir que amo pouco quando em mim ama tudo, por isso a confusão. Minha confusão.
Estática, muda. Presa em seu olhar.
Com uma força épica transformaste-me. Do coração fez transbordar chuva de ouro.
A profecia se dava de forma contínua e lenta...
Estranheza.
Como um bárbaro eu te procurava e me lançava a ti. Entreguei-me aos seus encantos.
Não queria ser mais um ‘mítico herói grego’. Padeceria ao seu lado.
De sua face e honra faria meu escudo e lutaria contra os deuses.
Nem Perseu seria capaz de decapitar nosso amor.
. . . . . .
Lembro-me de ti. Na escuridão de mim guio-me por seus rastros de luz, que mal duram o tempo de um piscar de olhos, mas são fixados na alma.
O céu noturno me fascina e me encoraja. És fonte de inspiração.
Despertastes inveja dos deuses por tamanha pureza e hoje luto ao seu lado.
Essa noite não será como as outras. Teremos interferência de seres maiores.
Parece que um dos filhos de Zeus finalmente me ouviu: da constelação de Perseu cairá sobre nós uma chuva de estrelas cadentes. Um espetáculo para ti, amor.
Rastros luminosos colorirão os céus...
Faça seus pedidos e neles seja grande, como Aquiles e Alexandre...
Aproveite a grandiosidade dos segundos e faça deles arte. Sua arte.
Janela aberta.
O vento gelado corta a pele com uma familiaridade nunca percebida... Me solto, subitamente, da minha teia de pensamentos e sonhos.
Hoje o ar percorrera o ambiente mais úmido, menos torturante, eu podia jurar que até sem pressa. O ar cantava.
Por um momento pensei sentir aquele cheiro de grama molhada que, em algumas ocasiões, já havia me hipnotizado. Sensações...
O barulho do trem anunciava o movimento do tudo: um mundo que não para. Nunca me preocupei com esse passar de horas: rápido ou não, não importava. Mas, hoje, a rajada de vento trouxe um arrepio. Típico, mas sem medo. O tic-tac do velho relógio de parede me incomodou. Percebi que para o tempo eu era nada, enquanto pra mim, ali, ele passara a ser tudo.
Eu já não me concentrava em minhas atividades rotineiras... Por que estar ali se eu não queria? O cobertor, hoje, não era suficiente. Por uma semana a solidão não me abatia. O motivo? Você. E eu não podia deixar esse instante passar. Os segundos tinham mais valor, e o vento insistia em sussurrar seu nome. Confesso: gosto da sonoridade desse seu nome, gosto das lembranças que ele me trás.
Lembro-me de ensinamentos gregos e egípcios ao dizer que no hoje fechamos um ciclo, pequeno, mas, para mim, significativo. Mas, hoje, você estava longe: não nos veríamos.
Procurei acalento no horizonte, como em um final de capítulo, encontrei a Lua e Vênus. Meus batimentos perderam o ritmo e o silêncio me disse o que muitas vezes palavras não conseguiram expressar. Sorri. Percebi teu cheiro no ar, na noite. Eu estava feliz...
Ajoelhei e agradeci aos astros. Pedi solidariedade ao tempo e decidi fazer de cada nascer do sol um dia mais feliz: com você.
Gotas começam a cair devagar... O céu parecera se emocionar com o que eu sentia: amor.
Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo?
Ou teria sido o contrário?
Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida:
Sonhei que você sonhava comigo. Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer. Pelo menos, não desse jeito embaçado como uma vidraça durante a chuva. Por favor, apanhe aquele pequeno pedaço de feltro que fica sempre ali, ao lado dos discos. Agora limpe devagar a vidraça — quero dizer, o texto. Vá passando esse pedaço de feltro sobre o vidro, até ficar mais claro o que há por trás. Lago, edifício, montanha, outdoor, qualquer coisa. Certamente molhada, porque só quando chove as vidraças embaçam. Será? Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Agora penso que é também provável que — se realmente fui mesmo eu a sonhar que você sonhou comigo; e não o contrário — eu não estivesse sonhando. Nada de sono, cama, olhos fechados. É possível que eu estivesse de olhos abertos no meio da rua, não na cama; durante o dia, não à noite — quando aconteceu isso que chamo de sonho. Embora saiba que — se foi dessa forma assim, digamos, consciente — então não seria correto chamá-la de sonho, essa imagem que aconteceu —, mas de imaginação ou invento até mesmo delírio, quem sabe alucinação. Mas não, não é isso o que quero contar, O que quero contar, sei muito bem e sem nenhuma hesitação, começa assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro. Começando de novo, quem sabe, começando agora:
Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora. Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui:
Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim:
Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.
O Estado de S. Paulo, 9/12/1987

“Quando vocês pensam que eu estou distante, é exatamente neste instante, em que eu estou pensando em vocês.”
Estalem os dedos.
Ouviram o som?
É nessa mesma rapidez e, às vezes sem som algum, que as pessoas entram e saem das nossas vidas. Devemos sempre estar atentos e não ter medo de amar, fazer que os momentos, mesmo que pequenos, valham a pena.
Para mim valeu.
É certo que, realmente, ninguém tem a felicidade garantida. A vida simplesmente dá a cada pessoa tempo e espaço. Depende de nós enchê-los de alegria.
Por uma semana - tempo demais ou tempo de menos, não importa (nesses dias o tempo fora apenas coadjuvante) – lidei com um sentimento puro e intenso. Avassalador.
Vivi verdadeiramente a vida.
Aprendi que a vida é agora.
Encontrei alegria no outro e em mim.
Percebi que realmente que essa vida é feita de escolhas e que, sim, muitas delas são escolhas de atitudes.
Vocês me fizeram imaginar uma nova história e acreditar nela.
Vocês têm o poder!
O imprevisível me fascinou.
Amigos de verdade.
Nada do que passamos é qualificável, compreensível ou descritível: é apenas sentido.
Lembranças guardadas no peito.
Desejemos o melhor para nós, lutemos por isso, e então esse melhor vai se instalar em nossas vidas.
Obrigada por estarem comigo, pois o que é verdadeiro fica.
Das risadas fez-se aproximação.
Poesia de dias que voaram;
Dias guardados na memória
de nossos corações.
Música rara;
Hoje choro do sax.
Metáforas em lágrimas.
Saudade já levada pelo vento.
Olhares de longe,
Hoje mais pertos.
Na mesma estrela:
_em uma só Gaga.
Para as GAGAS: amigos do EIP 2010. I'll miss you!
Anos errados;
Anos passados,
_talvez jogados.
Dias deixados...
Dependência,
Egoísmo,
Ciúmes...
Um todo dentro de mim:
_amizade, amor.
Erradamente te procurei...
No acaso te achei:
_para sempre te amarei.


"Os tristes acham que os ventos gemem; os alegres acham que eles cantam." Zalkind Piatigorsky
Hoje o vento está gemendo, passando pelas frestas da minha janela, me enregelando o corpo até os ossos, quase até o coração. O frio me domina de fora pra dentro, mas conservo em mim uma chama que não me deixa congelar por completo. Difícil, decerto.
E talvez eu esteja triste, ou esteja apenas com vontade de escrever... E deixar que a minha pequenina musa cante um pouquinho, para que eu me livre, de alguma forma, do verdadeiro aborrecimento que está preso em minha garganta.
E sei que esse não deveria ser o intento da minha [suposta] arte, mas descobri que para mim não tem jeito. Eu só sei escrever para me libertar do que me oprime. Isso é positivo, de alguma forma...
Ou não, né?
[...]
“Sou uma mulher de detalhes fortes nos músculos do coração. Viver não é apenas estar aqui bebendo a água ou tocando o fogo. Viver pode ser alguma coisa a mais, além dessa exatidão humana. Por isso denuncio minha alma: ela tem desvios. Não é perecível nem inadulterável. Parece oca quando choro” Mirian Freitas
Escrevo...
Escrevo a dor dos meus dias e a certeza de um novo amanhã.
Certeza um tanto incerta.
Com meu coração esmagado entre os dedos gélidos tento me tornar menos vazia, ou melhor, menos sombria. Lembro-me que sempre fui assim: poesia e escuridão. Nada estava diferente.
As palavras só davam seqüência a aquele ciclo que havia sido certamente interrompido.
Não me adianta gritar para libertar-me, ninguém me ouviria. Tudo está longe... o meu tudo está longe... nas entranhas do tempo.
[...]
Sempre fui assim, poesia e escuridão. A luz foi eclipsada pela passagem dos dias sombrios, a necessidade de sol sempre foi apenas uma esperança. Então a escrita foi o caminho que encontrei para tentar buscar calor, sonhos e ideais, ou para romper a distância que há entre mim e o meu tudo, ou para esquecer a vida pequena, sonhar com a distante grandeza da vida. A distância é fria e vazia - como essa noite gélida, onde tudo é solidão... Onde tudo o que eu quero é sonhar, sendo que isso é o que menos consigo.
[...]
Acho que não sei sonhar. Meus instantes sempre ficam ali, na cama, imóveis.
Luto por um descanso da alma e o máximo que consigo é matar as esperanças que eu tinha nas mãos.
Meu silêncio não se acalma, minha alma não dorme, não se encontra.
Repito: estou só, e com frio. Me sinto oca, com medo e sem fé. Sem fé em mim.
Queria entender a inutilidade desses meus últimos dias, mas mesmo abalada pelo frio minhas razões não me deixam só. Prossigo, amargurada, com esse vazio da minha própria existência.
[...]
Razão e vazio. Não, não é disso que eu preciso. Preciso de emoção que me preencha completamente a vida, que me transborde, que me recorde a vida que eu nunca tive, mas que de alguma forma está guardada na minha memória. Tenho aquela estranha saudade de algo que nunca aconteceu...
Um sentimento específico, na verdade. Eu preciso me recordar de que eu sou capaz de um certo sentimento. Porque a sensação é a de impossibilidade total de sentir, e me parece que toda a vida fui assim, mas sei que algo em mim entende o que quero. Talvez eu sonhe com o impossível... E é a falta de fé que me faz acreditar que haja algo impossível.
[...]
Não preciso falar de esperanças, elas não cabem nesse momento.
Disso eu me recordo.
As dores que sinto hoje são nostalgias do ontem. São notas perdidas na canção que fiz para você. Melodia rara de um coração ainda puro, sem marcas.
Meu futuro é incerto, sem promessas ou encantos programados.
Talvez eu só queira a paz para viver sozinha, descobrir essa minha essência indecifrável.
Renunciei a mim mesma por um alguém e agora meu choro e meu silêncio dizem que sou infeliz.
Hoje me sinto velha, amargurada, pedinte. A beira de um abismo, longe da vida.
[...]
Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
"Já ela é velha! Como o tempo passa!..."
Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio de oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até ao fim!
Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente...
Já murmuro orações... falo sozinha...
E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos...
Por M. Peixoto e A. Mazzoni.
* Um pequeno suspiro.. Alívio...*
Estava de volta. Fazia muito tempo… Ali ainda existiam os mesmos cheiros, os mesmos rostos cansados, quase tudo impecavelmente igual. Até mesmo as minhas pequenas musas continuavam ali, sussurrando suas poesias quase imperceptivelmente. Faltavam pequenos detalhes que passariam despercebidos pela maioria dos olhos humanos – mas essa falta criava um vazio particular em meu peito.
No mesmo lugar… Sentada na mesma posição… Havia voltado para onde meu coração reconhecia como lar.
A mesma canção, minha trilha sonora pessoal para esses momentos particulares ecoava em minha mente.
- Let the seasons begin - take the big king down –
Braços invisíveis – meus velhos conhecidos anônimos – me receberam, acolheram-me como antigamente. Como se o tempo nunca tivesse existido.
Mas havia passado tempo demais… Era tarde demais…
Como pequenos sussurros, vieram fragmentos de algumas lembranças. Passavam suavemente diante de meus olhos, minhas fotografias – amareladas, gastas, antigas e tão fortes em mim.
E todas as palavras tocaram em forma de uma suave canção em minha mente.
Todas as distorções ficaram nítidas e me assustaram. Uma caricatura grotesca do que fora – desenhada pelas lembranças falhas. O sentimento no peito permanecia imaculado. Guardei-o como meu tesouro mais valioso. Porém, um único esquecimento e o conforto se tornou uma ferida que sangrava lentamente.
Nada poderia devolver tudo aquilo que minha alma necessita e que se perdeu por aí. Um cristal que fora lascado. Eu necessitava daquele pedaço “insignificante” para que eu pudesse me reconhecer – e talvez voltar a me sentir viva.
Porém, ele estava perdido pelo chão e meus olhos cegos não conseguiam encontrá-lo.
Uma lembrança. Uma voz que eu havia esquecido. Fechei os olhos e vi os poucos traços que recordava.
O vazio tornou-se ainda mais latente. Eu quis gritar, mas meu próprio desespero me sufocou. Quis clamar por você, mas as lágrimas vieram primeiro. E a nossa promessa se repetia em minha mente, como que para convencer de que ela era real: daríamos um ao outro tudo aquilo que não conseguíamos oferecer a nós mesmos.
- I'll give peace when peace is fragile. –
Mas você nunca poderia estar ali para recuperar a minha sanidade.
... Eu quis gritar, mas a dor me amordaçou…
[...]
... ... ... Arrepio ... ... ...
E uma voz ecoou por todo aquele lugar. De onde vinha, eu desconhecia, mas morria em meu peito. E meu coração, apesar de todas as falhas, reconheceu. Um sussurro. Meu salva-guarda.
- Eu estou aqui minha querida. Sempre com você –
Não acreditei quando percebi que era você.
Com a delicadeza que os deuses reservaram a ti, segurastes minhas mãos e repetia o mesmo gesto que trazia a minha paz.
De alguma forma que desconheço, minha alma sabia que era real: você estava ali comigo.
Olhei em teus olhos invisíveis e agradeci como sempre fiz: em silêncio.
- Obrigada por existir para mim. –
Será que você poderia compreender minhas palavras? Acredito que sim. Sempre me entendeu melhor do que eu mesma.
Um riso. O sorriso que você guardava somente para mim.
- Eu amo você menina. –
Silêncio. As palavras são frágeis demais para carregarem consigo o tamanho do meu amor por ti.
[...]
E cheguei até mesmo a acreditar que tudo poderia ser como antes. Mas os ponteiros do relógio e sua urgência não me permitiram ficar ali.
... ... ... Medo ... ... ...
Medo de me perder novamente… De cair, de me prender novamente naquelas correntes negras... Temia retornar ao ponto inicial e morrer lentamente em agonia.
Levantei-me. Olhei para trás procurando-te e nada encontrei. Estava só novamente. Será?
- Uma resposta –
I said baby don't worry,
life will carry.
Just take it slowly.
'Cause the love you used to feel is still in there, inside.
It may be the faded photograph, but I know you care.
So don't hide.
If you're scared, I'm here besides you.
If you get lost, I'm here to guide you.
Lu Rodrigues