A chuva caia devagar e silenciosa, abraçando o todo, englobando tudo.
O ar nostalgico entranhava nos corpos com a leveza de uma pétala a cair.
O tempo passava e eu passeava. Minha mente era como um pântano, muito perigosa.
Às vezes era necessário voltar ao mundo real...
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Eu andava pela rua cantarolando antigas canções que ainda me comoviam.
Observava tudo ao meu redor e dava nome para tudo que via, como em uma brincadeira de criança.
O ônibus chamei de mãe, pois nas horas difíceis, com chuva ou pouco dinheiro era ele que me recolhia; as ruas chamei de destino, pois minhas escolhas me levavam para diferentes caminhos; os postes da cidade chamei de amigos, pois nas horas sombrias eles me mostravam a luz e o caminho a seguir...
Assim fui brincando, caminhando, imaginando e me molhando com os leves pingos de chuva que me contemplavam.Purificação.
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Meus olhos então encontraram algo que me surpreendeu. Meu corpo parou repentinamente e eu não tinha mais ação. Eu só conseguia observar. Um mendigo com um violão e um nariz de palhaço...
Talvez olhar a tristeza sozinha ou a suavidade de um músico não me tocaria tanto, mas tudo junto,numa coisa só, foi espantoso.
Em um pedaço de papelão, agora molhado com a chuva se encontrava um Homem. Sujo e descabelado, com um nariz de palhaço e um violão a declamar Vinícius de Morais.
Eis a tristeza, a miséria, a felicidade e a suavidade de um poeta em um só ser.
O ar parecia estar mais frio.
Senti um arrepio. Típico.
Com as mãos tentei me aquecer... A brincadeira deveria continuar.
Foi então que encontrei um nome para aquele ser....
Aquele homem eu chamaria de "EU".
[Inspirado em um texto de Jefferson Teodoro]
Okay,
ResponderExcluirSe a intenção desse blog é me comover profundamente, saibam que estão conseguindo.
Os textos são a cada dia mais lindos *-*
Beijos :*
Nossa Amanda, lindo o texto... Perfeito!
ResponderExcluirParece que você ouviu eu e o Linho conversando no dia anterior.. Estavamos falando exatamente disso... De como alguém tão humilde pode ser igual a nós. Lindo mesmo
*-*