Passamos a vida tão cegos
Tão enclausurados em nós mesmos
Que deixamos a vida passar
Com seus detalhes sutis
Era só mais uma manhã de domingo
Sentada diante do mar
A ouvir as ondas se chocarem
Violentamente com as rochas
As mesmas ondas que vinham
Doces tocando meus pés
Eu estava perdida e nem sabia
A epifania veio
Quando vi quem deveria ser
Refletida nas águas do mar
E então eu pude enxergar
.
.
.
A brisa acaricia a face
Com a sua urgência
Como alguém que sente saudades
E no horizonte
O céu beija o mar
Oh...
...
Como pode o azul
Ter duas cores tão distintas
Dois tons que se fundem no encontro
- Na verdade, que nunca aconteceu -
O sons dos pássaros
Dos carros
Dos passos
Das ondas quebrando ao longe
Do vento que bagunçava o cabelo
E a minha mente
Todos em uma melodia
Harmônica que os ouvidos humanos
Teimam em não escutar.
Tantos detalhes
Tanta vida
Deixadas para trás
Em nossa existência tão ínfima
A beleza de milhões de anos
Construída a dedo
Que o egocentrismo humano despreza
.
.
.
Passei tanto tempo longe de mim
Que quando me vi, mal me reconheci
Eu era caricatura daquela mulher
Um rascunho mal feito
Mas mesmo tão assombrosa
A imagem desfigurada que eu era
Ela queria se fundir a mim
Pois somente me faltava enxergar
A essência que eu havia esquecido
Em algum instante atrás
Agora queria me reencontrar
Para me curar
- Eu estava finalmente me tornando livre -


