terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cegueira

Passamos a vida tão cegos
Tão enclausurados em nós mesmos
Que deixamos a vida passar
Com seus detalhes sutis
Era só mais uma manhã de domingo
Sentada diante do mar
A ouvir as ondas se chocarem
Violentamente com as rochas
As mesmas ondas que vinham
Doces tocando meus pés
Eu estava perdida e nem sabia
A epifania veio
Quando vi quem deveria ser
Refletida nas águas do mar
E então eu pude enxergar

.
.
.

A brisa acaricia a face
Com a sua urgência
Como alguém que sente saudades
E no horizonte
O céu beija o mar
Oh...
...
Como pode o azul
Ter duas cores tão distintas
Dois tons que se fundem no encontro
- Na verdade, que nunca aconteceu -
O sons dos pássaros
Dos carros
Dos passos
Das ondas quebrando ao longe
Do vento que bagunçava o cabelo
E a minha mente
Todos em uma melodia
Harmônica que os ouvidos humanos
Teimam em não escutar.
Tantos detalhes
Tanta vida
Deixadas para trás
Em nossa existência tão ínfima
A beleza de milhões de anos
Construída a dedo
Que o egocentrismo humano despreza

.
.
.

Passei tanto tempo longe de mim
Que quando me vi, mal me reconheci
Eu era caricatura daquela mulher
Um rascunho mal feito
Mas mesmo tão assombrosa
A imagem desfigurada que eu era
Ela queria se fundir a mim
Pois somente me faltava enxergar
A essência que eu havia esquecido
Em algum instante atrás
Agora queria me reencontrar
Para me curar
- Eu estava finalmente me tornando livre -

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mais um Arjuna




Vontade.
Guilherme acreditou que seria nesse princípio que as mudanças, por ele idealizadas, seriam moldadas.
Muito mais estava envolvido.
É natural esperar por muitos obstáculos nessa caminhada pela elevação do Ser.
Narrarei a última descoberta do nosso protagonista.
Um importante passo fora dado.
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Escola.
Lugar difícil quando não se é popular, bonito e nem personagem assíduo na sala da direção.
Mas quando nos referimos a um amante das artes, da história e da filosofia....as coisas pioram.[principalmente quando se tem 13 anos].
Guilherme via naquele contexto escolar o lugar propício para o começo de sua luta. Ele já podia imaginar os velhos brutamontes disseminando idéias de Platão e agindo como verdadeiros filósofos (palavra taxada na cidade como "pessoas que não fazem nada além de pensar, sabe-se lá no que").
O plano era perfeito.Era o que o menino,ainda ingênuo, pensava.
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..
Ir para escola e ser alvo de piadas começou a ser cada vez mais difícil.
Havia dias em que a chama do idealismo parecia não existir.
A indecisão tomara conta de Guilherme.
Será que valia a pena lutar por este estado de consciência superior, ou tudo não passava de mais uma fantasia de um criativo e sensível menino?
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[Nessa parte prova-se o quão especial é Guilherme, que com um olhar superior desvendou um grande enigma..]

Estamos tratando aqui da Indecisão humana, da dúvida com a qual o homem enfrenta sua batalha interior.
É aqui que o garoto percebe o quanto é humano, e como tal há de ter sombras, contra as quais sua vontade esgrimirá.
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A caminhada havia começado para valer.
Mais um Arjuna lançado à batalha. Uma pessoa que "deseja emplumar novamente seus cotos e viver para os ideais de sua natureza imortal".

.....

....

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"Tenho andado distraído, /
Impaciente e indeciso /
E ainda estou confuso/
Só que agora é diferente: /
Estou tão tranqüilo /
E tão contente. /

Quantas chances desperdicei /
Quando o que eu mais queria /
Era provar pra todo o mundo /
Que eu não precisava /
Provar nada pra ninguém. /(Renato Russo)

[conhecer a história de Arjuna no Bhagavad Gîta pode ajudar na compreensão]

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Guilherme eu, Guilherme você

Audácia seria começar esse trecho com um singelo "Era uma vez".
Não se trata de um conto de fadas e nem, tampouco, de histórias no estilo Stephen King. Misturemos realidade com fantasia, o sublime com a matéria.
Essa é a história de Guilherme.


[A história começa em um daqueles lugares que só existem para você sair de lá]

Talvez seja bom ressaltar que nosso protagonista é Pisciniano, um incorrigível sonhador. Um filho de Netuno capaz de criar os mais fantásticos e requintados climas para fazer do amor uma experiência mágica. Generoso e doador convicto. Muito sensível.

Levando em consideração o lugar em que a história de se desenrola, Guilherme levava uma vida "normal"(leia-se: só ia para escola e não fazia mais nada o resto do dia). Muitos se contentavam com isso, mas ele não.
Os livros eram seu refúgio preferido, não tirando o mérito do video-game (um antigo Nintendo que vinha passando de gerações e já não possuía todas as peças).

Aqui lá vai um segredo: Guilherme, diferentemente da maioria dos meninos de sua idade [13 anos], tinha o dom da palavra. Entregava-se sem reservas e às vezes sem examinar as credenciais de seus ouvintes. Personagens mais racionais e pragmáticos se sentiam confusos com a fala desse pequeno e impalpável filho da Água.
Não que isso fizesse muita diferença na sua "cidade". Lá ele só era o filho da Ruty (personagem que ainda não precisa ser descrita).
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O menino queria ser mais! Expandir-se.
Deveria haver algum lugar em que meninos são reis, em que amar ainda seja sublime e as pessoas ainda saibam o que é belo.

Como que por ironia do destino, nosso pequeno rei não sai de sua "cidade" . Ele resolve transformar sua extrema sensibilidade em uma apurada intuição e vencer aquilo que ele apelidava de escuridão.
Como Dom Quixote, que imaginava sua Dulcinéia uma princesa, quando na realidade era uma pessoa de vida duvidosa, Guilherme almejava uma mudança em cada cidadão, pois ele via ali um mundo a ser desbravado, uma vida mais alegre.
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Como em uma rouquidão repentina as mudanças sonhadas não aconteceram, ninguém ouviu o que acabara de ser dito.
---------------Zzzzzzzz--------------

Guilherme acorda.
Havia dormido em cima da redação do colégio.
Nada havia sido escrito.
O sol parecia mais forte. O ar,sinuoso, parecia carregado de sonhos.
Acordara mais um idealista, outro filho da Água.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nosso tempo

O novo:
_liberdade,responsabilidades,saudade
Tempo de descobertas...
Mar de lembranças.

O tempo passara rápido.
O tic-tac do relógio
fora mais rápido para alguns...
Arrependimento.

Melodia rara que ainda nos conforta
Corações partidos.
Renovação.
Busca pelo novo.

Reaparecimento dos nossos artistas!


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nostalgia...


_ 3 anos...Mas pareceu tão pouco tempo



As vozes eufóricas ainda ecoam em minha mente
Anseios, curiosidades, cheiro de vida nova
Um ciclo diferente
Mal sabiam eles
Ninguém os preparara para isso
Tantos olhares inocentes (?)
Sem responsabilidades a mais
Rindo ao sabor do vento
Crescemos e roubamaos espaço
No coração, na memória de algum outrém.
Amores e desafetos
As lágrimas que morreram
No sorriso dos amáveis e justos.
A prosa que corria solta
Nas mesmas cinco horas
Das manhãs de segunda a sexta
Os olhares que ganharam significado
As rodas de violão
Nas mesmas aulas de educação física
A jogatina vespertina
Eterna vigilância pelos corredores
Nos sufocos, nas angústias
Em provas, trabalhos
Dividindo vozes em canções
E parcerias nos vícios do cotidiano
Criamos laços, criamos vínculos
Alguns que se perderão com a correria
Que criamos com a chegada de responsabilidades
Outros
- justo aqueles que não imaginávamos -
Nos darão a mão e caminharão ao nosso lado
A vida.. Tão louca...
Tão imprevisível
E tão deliciosa

Tantos dias se passaram desde aquela manhã
De fevereiro de três anos atrás
E ainda assim, a lembrança parece palpável
Posso tocá-la
E sentir teu cheiro de adolescência
Ouvir tua canção
Que traz a vida nova aos olhares cansados
Tuas cores, teus contrastes
A energia que ainda me encanta
Mas como poderia ter sido há anos
Se a sensação é de ontem?
O tempo só pode ter sido invenção de algum insano.
Datas, apenas datas
Apenas rabiscos no canto inferior
Nas memórias de velhos tempos

[05/02/2010]

Mais um camarada d'água

Tantas vezes brinquei, mas hoje uma lágrima escorreu de verdade pelo canto do olho.
Uma fotografia.
Um olhar.
Um herói...
Mas um herói cansado, alguém que perde a cada dia a alegria de viver, que não consegue mais sorrir com tanta naturalidade, mas que ainda cativa muitos.
Paro e tento entender o que pode ser feito, até quando o passar dos dias será tão doloroso.
Penso em ajudar.
Temo pensar no desfecho.
As luz vai se apagando.Um sacrilégio!
Como pode um olhar perder seu brilho assim? Não esse olhar.
Peco quando não digo que te amo e sofro quando percebo todos seus esforços...por mim.
_"Viva a sua maneira, não perca a estribeira, saiba do teu valor! Brilhe onde estiver, faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé!"
Pai.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cativar


Nos tornamos responsáveis por coisas alheias a nós.
Tudo que cativamos sem ao menos percebermos
E tantas almas que machucamos deliberadamente
Corações quebrados que nunca conhecemos
Olhos que sempre nos enxergaram
Tão despercebidos para nós
O apreço que ganhamos sem ter merecido
O desejo que nunca será recíproco
Visitamos tantos sonhos, mas não temos a imagem de nenhum
Tantas lágrimas que caíram em nome de nós
E tantos sorrisos que perdemos pelo caminho
As preces sussurradas pelos cantos que nunca escutaremos
A esperança em palavras soltas, impensadas
Corações anônimos, tão próximos
E tão distantes
Tantas vidas que carregam uma marca de nós
O preço, muitas vezes caro, que pagamos sem perceber
Pelos segredos de tantas almas, ocultados de nós.

[Obrigadinha Paulo, pela pergunta no MSN que me inspirou, viu? ;D]

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Paciência...


Quando tudo perde o sentido, perde o rumo, caminhamos sem direção.
A gente reza, pede um pouco mais de calma.
O tempo, senhor da razão, não volta. Morremos na esperança de desfazer todos os erros que cometemos, de toda a indiferença despropositada que tivemos.
As palavras rasgadas, doces e mal ditas.. Malditas que morrem amargas na boca, indizíveis. No silêncio desfalece a esperança, a crença, a fé.
Dias que não voltam, lembranças coloridas que vem em dias de o céu com cores mortas.
Arrependimento jamais. Somente pesar.
Talvez tenhamos que ter um pouco mais de paciência.
Não somos donos nem mesmo do nosso próprio destino.

[Oi gente, aqui é a Lu, primeira postagem minha e agora estou aqui como colaboradora com a Amanda. Espero que gostem.]

Escola da vida

Hoje fui tomada por um sentimento estranho, meio sufocante.
Durante anos a rotina foi a mesma.
Agora, não voltarei mais ao pátio do colégio,às aulas de física ou à sala de estudos.
Ufa! Como esperei por isso.
Mas...
e os amigos? alguns professores? o sino que parecia um alarme de incêndio e sempre nos lembrava o horário das aulas? Isso também acabou.
Nova fase.
Espero pelo resultado do vestibular como um faminto espera uma refeição. Quero o novo e temo não alcança-lo dentro do meu prazo,dentro do que eu havia planejado. Tento ser otimista,mas me preocupo com isso. A vida deixou marcas que insistem em doer,mas ainda não me fazer cair.
Olho para o lado e vejo aqueles que, mesmo longe das salas física, insistem em me dar forças.São nesses gigantes que me apoiarei e esperarei o que virá.
Hoje me dei conta do que é a escola,do que é ser educado,do que é fazer amigos!